quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Mais de 36 mil doentes operados às cataratas


O Programa de Intervenção em Oftalmologia (PIO) superou a previsão da tutela, registando um aumento de doentes operados às cataratas e com primeiras consultas, gastando menos dinheiro.
Segundo o Ministério da Saúde, 36 446 doentes foram operados de Janeiro de 2008 a Junho de 2009, apesar de terem sido contratualizadas trinta mil cirurgias; 80 940 doentes tiveram uma primeira consulta, das 75 mil contratualizadas. Quanto às reclamações de doentes de não acederem à cirurgia – alguns foram operados no estrangeiro – o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, disse que a tutela "não montou uma linha verde para os doentes que não apareceram depois do programa estar a funcionar". O PIO custou 3,5 milhões de euros e a tutela dispunha de 28 milhões. CM

SNS: Estado pode poupar 813 M€ com nova central de compras

O Estado pode poupar mais de 800 milhões de euros nos próximos cinco anos recorrendo a uma central de compras para o Serviço Nacional de Saúde, diz o economista Augusto Mateus, em entrevista à agência Lusa.
O antigo ministro da Economia explica que o estudo foi feito este ano a pedido do SUCH - Serviço de Utilização Comum dos Hospitais, que está, em conjunto com a Administração Central do Sistema de Saúde, a preparar uma central de compras, cuja criação foi recusada pelo Tribunal de Contas.
Tal como a Lusa noticiou quarta-feira de manhã, os juízes consideram que a criação de uma central de compras para a Saúde viola a autonomia de gestão das unidades de saúde e é ilegal por obrigar estas entidades a fazerem as compras partilhadas. Lusa

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Ordem dos Médicos critica criação de novos cursos


O ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, garantiu ontem que irão ser criados mais cursos de Medicina no País durante a cerimónia do novo curso de Medicina na Universidade de Aveiro.
O governante refutou a ideia de que haja desemprego na classe médica, respondendo às críticas do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, que considerou que Portugal terá mais médicos no desemprego dentro de quatro ou cinco anos.
Na cerimónia, em Aveiro, o primeiro-ministro, José Sócrates, considerou que a criação do curso, que arranca em 2011 com 40 alunos e que se destina a licenciados, é mais um passo para corrigir o "erro histórico" que constituiu o desinvestimento na formação de médicos. "O País tem hoje falta de médicos e muitos médicos vão reformar-se", alertou.

2 mil doentes esperam por um rim

Cerca de dois mil doentes estão em lista de espera por um rim, sendo que as principais causas da insuficiência renal são a diabetes e a hipertensão arterial, revelou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro.
Ao CM, Pizarro sublinhou o aumento dos transplantes de cadáveres e também de dadores vivos. "Os portugueses são muito solidários e aceitam bem a doação de órgãos de familiares cadáveres. Um dador dá em média três órgãos, o que permite 500 transplantes por ano e aumentar para 39 os hospitais que fazem colheita. LUSA

Ministra: Ainda há muitos portugueses sem médico de família

A ministra da Saúde lembrou hoje que «existem ainda muitos portugueses sem médico de família», contestando assim as criticas do bastonário dos médicos e dos estudantes de Medicina contra a abertura de novos cursos.
À margem de um encontro sobre assistência hospitalar, realizado hoje na Universidade Católica, Ana Jorge contestou as declarações do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, que considerou que a abertura de um novo curso de Medicina na Universidade de Aveiro «é uma grande asneira».
«Em Portugal existem muitos portugueses que não têm médico de família e faltam também [profissionais de] algumas especialidades», reagiu a ministra, que esta manhã esteve presente na assinatura do protocolo entre as universidades de Aveiro e do Porto para criar um novo curso de Medicina. Lusa

Enfermeiros: Sindicato reúne-se hoje com Ministério

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses reúne-se hoje com o Ministério da Saúde, de quem espera receber uma nova proposta de grelha salarial para os profissionais, disse à Lusa Guadalupe Simões.
A confirmar-se, esta será a primeira proposta de grelha salarial desde o reinício das negociações, com este novo Executivo, sobre a reestruturação das carreiras.
«A reunião servirá para receber e analisar a nova proposta de grelha salarial do ministério, mas não acredito que seja conclusiva, a não ser que a ministra aceite todas as propostas do sindicato», disse Guadalupe Simões à agência Lusa. Lusa

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Mais de 70 mil vacinas por administrar


Já foram administradas 240 mil das mais de 310 mil vacinas contra a gripe A adquiridas por Portugal.
De acordo com o director-geral de Saúde, Francisco George, com a imunização de 40 a 50 por cento da população será possível travar uma eventual segunda onda de gripe A. De acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, países como Portugal já ultrapassaram o pico de casos de H1N1. Em Portugal, foram notificadas 37 mortes de pessoas com gripe A, segundo os últimos números divulgados pelo Ministério da Saúde.

Bastonário quer negociar comparticipações nos privados


O hoje reeleito bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, prometeu negociar com o Governo uma tabela de comparticipações para que os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) possam recorrer a clínicas dentárias privadas.
Em declarações à agência Lusa, Orlando Monteiro da Silva considerou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem sabido dar resposta às necessidades de saúde oral dos portugueses e defendeu a necessidade de criação de um sistema de comparticipação destes actos médicos pelo Estado junto de privados.
«Estamos interessados em negociar uma tabela de reembolsos de alguns actos de medicina dentária com o SNS nas clínicas e consultórios privados», afirmou. Lusa

Primeiro simpósio Harvard Medical School-Portugal começa hoje


O primeiro simpósio Harvard Medical School - Portugal começa hoje em Lisboa para mostrar os mais recentes avanços da investigação em áreas da medicina como o cancro, a sida, a diabetes ou as doenças epidémicas.
O simpósio decorre entre hoje e terça-feira, em Lisboa, e enquadra-se num protocolo assinado, no final de Maio, entre o Governo português e a Universidade de Harvard, no valor de 42 milhões de euros, com o objectivo de reforçar em Portugal a investigação clínica e a transferência de conhecimento cientifico.
O programa de colaboração inclui concursos anuais para a selecção de novos projectos de investigação clínica, um programa de pós-graduações para profissionais em princípio de carreira ou com carreira confirmada e outro para estimular a produção e publicação de informação médica junto dos profissionais do sector, estudantes de medicina e população em geral. Lusa

Rede SIV do INEM pode estar à beira de ruptura


A rede Suporte Imediato de Vida, do INEM, pode estar à beira da ruptura caso o ministério da Saúde não convoque novo concurso para integrar enfermeiros e os que aí trabalham tenham de regressar aos seus postos de origem.
A “falência completa” nas ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) pode acontecer no final de Janeiro, logo a seguir a uma reunião que será solicitada ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), disse à Lusa o dirigente da delegação de Coimbra do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Paulo Anacleto, após o Encontro Nacional de Enfermeiros de Emergência Pré-Hospitalar.
Segundo o dirigente sindical, o concurso publicado em Março para fazer entrar 80 funcionários nos quadros não teve ainda resultados, o que Paulo Anacleto considera "inadmissível" e que leva os enfermeiros a exigir a nulidade do actual concurso e a abertura de um novo.
Paulo Anacleto acrescentou que o INEM terá pedido um parecer jurídico sobre o concurso e que deverá ser pedido outro parecer.

“Em função da decisão de legalidade ou ilegalidade do concurso poderá haver de imediato a abertura de um novo concurso já em Janeiro”, disse, lembrando que, caso não exista novo concurso, os enfermeiros estão na disposição de “em finais de Janeiro, princípios de Fevereiro” regressarem aos seus locais de trabalho de origem.
“Poderá haver o que ninguém pretende, principalmente as populações, que é a ruptura e a falência completa de rede de socorro que é o Suporte Imediato de Vida”, referiu.
A SIV surgiu há cerca de dois anos, no âmbito da reestruturação da rede das urgências, tendo sido requisitados pelo INEM cerca de 130 enfermeiros a vários hospitais.
“Os enfermeiros [que] estão emprestados ao INEM querem ficar em definitivo ligados à emergência pré-hospitalar e pretendem fazer o seu percurso profissional no INEM", disse, ressalvando que com a "incerteza e dúvida do posto de trabalho no INEM” é natural que os enfermeiros regressem ao local de trabalho original.

“O que assim acontecendo poderá entrar em ruptura aquilo que são os meios de socorro SIV em todo o país”, concluiu. Lusa

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Inscritos para cirurgia vão ter acesso a tempo de espera


A ministra da Saúde anunciou hoje que a lista de espera para cirurgia vai estar disponível ainda este mês para os utentes poderem saber a sua posição e o tempo previsível para serem operados.
Os doentes registam-se através do portal de saúde - www.portaldasaude.pt -, obtêm uma senha e depois podem consultar a sua posição na lista de espera e o tempo previsível para a realização da cirurgia, explicou Ana Jorge na primeira audição na Comissão Parlamentar de Saúde, onde esteve com os secretários de Estado Manuel Pizarro e Óscar Gaspar.
Nesta lista, estão inscritos com indicação para intervenção cirúrgica cerca de 170 mil doentes, adiantou a ministra à margem da audição, avançando que este sistema entrará em vigor no final do mês.
A ministra disse que é preciso "continuar a trabalhar na redução do tempo de espera cirúrgico para as neoplasias malignas". A mediana do tempo de espera no primeiro semestre de 2009 era de 27 dias e em 2008 era de 36 dias.

Durante a audição, requerida pelo PSD e CDS-PP, a ministra da Saúde respondeu a várias perguntas dos deputados sobre as principais linhas de actuação política e legislativa que o Governo pretende executar na área dos cuidados de saúde primários e continuados.
A deputada do CDS-PP Isabel Neto manifestou preocupação por 700 mil portugueses não terem médico de família, situação que Ana Jorge gostaria de ver resolvida nesta legislatura.
Ana Jorge admitiu que, apesar da reforma dos cuidados de saúde primários estar "no bom caminho”, os números alcançados são ainda insuficientes, no que respeita às Unidades de Saúde Familiar (USF) e Unidades de Cuidados na Comunidade.
Já o deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo afirmou que tem havido um “arrefecimento do ritmo de implantação das USF”.
Lembrou que o objectivo é chegar a 2013 com todo o território nacional coberto por USF e em 2012 haver em todos os municípios Unidades de Cuidados na Comunidade.

Há 212 USF em funcionamento, mais 320 000 pessoas com médico de família, 1520 médicos e 1540 enfermeiros a prestar serviço em Unidades de Saúde Familiar.
“Reconhecemos que estes números são ainda insuficientes. Mas demonstram que a ambição da meta que traçámos para 2013 está ao nosso alcance”, frisou.
Sobre a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, a ministra afirmou que permitirá uma melhor gestão dos cuidados, com mais capacidade para as situações agudas, nomeadamente cirurgias, facilitando a redução das listas de espera cirúrgicas.
“Numa área em que quase tudo estava por fazer, e apesar do muito concretizado, reconhecemos que há atrasos e dificuldades a ultrapassar. Por exemplo, faltam camas principalmente na Região de Lisboa e Vale do Tejo”, afirmou.

Por outro lado, acrescentou, há carência de equipas de cuidados continuados nos Agrupamentos de Centros de Saúde para apoio domiciliário. “E a articulação entre as equipas de gestão de altas dos hospitais e as equipas do terreno nem sempre é a mais adequada”, referiu.
“Há [também] uma deficiente resposta aos doentes que necessitam de cuidados paliativos”, adiantou, anunciando que, às cerca de 4000 camas disponibilizadas pela rede a partir do final deste ano, se somarão mais 10 000 nesta legislatura. Lusa

Governo: «Gestão privada na Saúde está politicamente fechada»


O secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, admite que a recomendação dos peritos que defendem que a escolha sobre a gestão privada na Saúde deve ser decidida caso a caso é «tecnicamente robusta», mas afirma que «o assunto está politicamente fechado».
Em entrevista à agência Lusa, Óscar Gaspar afirma que «a decisão foi tomada e é para manter», explicando que «o Ministério da Saúde tomou a decisão que as parcerias só fazem sentido se for de infra-estrutura e não de gestão clínica, tendo em conta os prós e os contras».
Questionado sobre a razão de o Governo ir contrariar as conclusões de uma comissão nomeada pela ministra da Saúde para aferir as vantagens e desvantagens dos três modelos de gestão de hospitais em Portugal (Sector Público Administrativo, Entidade Pública Empresarial e Parceria Público-privada), o governante começa por conceder que «o estudo faz uma análise económica, e a conclusão a que chega é tecnicamente robusta - depende das economias de gama e da complexidade tecnológica». Lusa

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Ainda nenhuma farmácia aderiu à venda de medicamentos unidose


Apesar de já regulamentada pelo Governo, ainda nenhuma farmácia aderiu até ao momento à venda de medicamentos em unidose, com o CDS-PP, partido que mais lutou pela implementação da medida, a acusar o Executivo de ter falhado na regulamentação desta lei e de não ter criado «mecanismos apelativos e justos».

Numa altura em que se cumpre seis meses após a entrada em vigor da nova lei sobre a venda de medicamentos em unidose, a deputada do CDS-PP Teresa Caieiro salientou, em declarações à TSF, que, «quando o Governo socialista ao fim de quatro anos de insistência do CDS e após inúmeras promessas finalmente regulamenta a dispensa de medicamentos em unidose por parte das farmácias não o fez de modo a que existam mecanismos apelativos ou justos entre as responsabilidades que as farmácias têm de assumir e a vantagem que daí advém para os cidadãos».

Recordando que não defende que «deva haver benefícios específicos para as farmácias», a parlamentar também reconhece que estas também «não podem arcar com um peso ou ónus quando no fundo estão a proporcionar um mecanismo que vai poupar dinheiro ao Estado e aos cidadãos».

«Não basta estar-se a legislar se depois a sua eficácia é nula», concluiu Teresa Caeiro, num «recado» claramente dirigido ao Governo.

A TSF afirma ter contactado ainda a Associação Nacional de Farmácias (ANF), organismo que, no entanto, terá optado por não comentar o facto de nenhuma farmácia ter ainda aderido à venda de medicamentos unidose, uma vez que decorre ainda o período experimental de um ano na região de Lisboa e Vale do Tejo, e só em Agosto ter lugar as alterações de propôs na legislação, de forma a que as farmácias sejam compensadas. LUSA

Hospitais EPE agravam prejuízos em 22,4% para 218 M€


Os hospitais públicos com gestão empresarial (EPE) registaram um agravamento dos prejuízos em 22,4 por cento nos primeiros nove meses do ano, para 218 milhões de euros, segundo os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

O resultado líquido negativo de 218 milhões de euros dos hospitais EPE compara com um prejuízo de 178 milhões de euros registado em igual período do ano passado. Desta comparação exclui-se o hospital Amadora-Sintra, que regressou à gestão estatal a 1 de Janeiro deste ano.

O resultado operacional melhorou 4,3 por cento, com um desagravamento do resultado negativo de 232,9 milhões de euros o ano passado para 222,9 milhões de euros até Setembro deste ano. Lusa

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Médicos portugueses são «bons solistas» - Sobrinho Simões

Manuel Sobrinho Simões, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, criticou hoje os médicos portugueses por, sendo «bons solistas», não saberem trabalhar em «orquestra», e defendeu que os candidatos a Medicina devem ser, sempre que possível, entrevistados.
«Temos um problema que é termos bons solistas mas sermos maus a trabalhar em orquestra e isso tem a ver com as limitações históricas», disse o professor catedrático, durante a sessão inaugural do Curso de Medicina que decorreu hoje na Universidade do Algarve (UAlg).
Os «minifundiários» e as «pequenas invejas» que existem na área da Medicina são «defeitos culturais e não genéticos», referiu Sobrinho Simões, remetendo os problemas actuais para o monolitismo da Universidade de Coimbra, a existência de um cirurgião-mor, a recusa de estrangeirados, a exaltação da retórica, o Estado Novo e a Inquisição. Lusa